segunda-feira, 18 de julho de 2011

Elísios.

O garoto sempre ouviu, que um dia quando os mortos, pelo menos aqueles que são bons,corretos e puros , assim que partem, encontram caronte, o barqueiro, para atravessa-los pelos rios estige e o Aqueronte e após essa travessia eles chegavam em um local chamado Campos Elísios, com isso em mente o garoto sempre planejou ser bom e generoso; Por mais que as dificuldades o abatessem, com isso ele criou uma barreira muito forte à qual evitava que as pessoas chegassem próximas a ele, para que assim ele se mantivesse puro e não fosse contaminado pela maldade do mundo e também para que ele não pudesse ferir ninguém.
Sua jornada sempre foi surpreendente, mas dessa vez ele teve algo tão inesperado que nem ele mesmo soube como lidar, o rapaz, seu antigo amigo, agora estava muito mais próximo que antes, seu companheirismo estava mais forte seus pensamentos eram quase que iguais e o apreço que um sentia pelo outro ficou cada vez maior.
Em uma noite tempestuosa de ventos fortes e gélidos,o garoto estava em uma jornada pelo outro lado do rio, mas nada saiu como planejado e ele foi atingido pela tempestade e quando estava perecendo, foi encontrado pelo rapaz próximo a cabana de uma amiga que estava caçando em outro condado, então o rapaz ofereceu abrigo ao garoto, que não havendo alternativa, aceitou dormir com seu estimado amigo; mesmo com as roupas molhadas as providencias estavam em baixa, comida e água estavam escassas por aquela noite e a sua fogueira estava próxima às cinzas e a para que a sobrevivência fosse garantida, dormir juntos foi a única solução.

Sem jeito, o garoto tirou a camisa que estava molhada pela tempestade que os atingira anteriormente e ao notar que o frio não passava, resolveu tirar o resto da roupa molhada igualmente o rapaz havia feito. Nisso foi compartilhado o aclamado calor humano, entregues um ao outro, o rapaz e o garoto se deitaram juntos para se aquecer e manter a vida um do outro, como já haviam dormido juntos anteriormente não houve problemas à não ser a nudez que deixava o garoto meio sem jeito.
O frio tornou-se cada vez mais intenso, então foi necessário que eles ficassem mais próximos ainda ao ponto de se abraçarem, então o garoto teve a devida recaída e beijou o rapaz na intensidade que jamais havia tocado alguém, quase que como um vampiro louco por sangue, seu beijo aqueceu o rapaz não só fisicamente, mas elevou a sua chama interna aquela que ele alimentava fielmente de todos os dias com o sorriso do garoto.
Ali mesmo sob o teto da cabana do rapaz, o garoto experimentou a sensação de ter a sua primeira vez e o rapaz sempre gentil o guiou e o ensinou gentilmente como se portar, fazendo daquele momento o acontecimento mais importante da vida do garoto e em sua imaginação aquilo que todos sempre o incentivaram jamais poderia se comparar à como ele se sentiu apenas uma sensação indescritível, um prazer imensurável, algo que ele jamais soube lidar ocupou sua mente e durante aquele momento e ele aprendeu algo completamente paradoxal, que no dia em que ele perdeu a sua pureza de um modo incorreto, ele alcançou o tão aclamado Elísios.


[Outra colabração d'O Garoto do outro lado do Vidro]

Um comentário:

garoto cientista disse...

Estou boquiaberto. Sou suspeito para qualquer elogio, então apenas digo que adorei. Magnífico.